Publicado por: pongpesca | 2009/12/15

“Já não podemos perder mais nada”

Foto do Porto de Vigo. Fonte: nh Hoteles

“Pescadores de Vigo rejeitam novos cortes nas quantidades que possam vir a capturar e aguardam decisões de Bruxelas com expectativa.

O fantasma da redução de quotas ensombra por estes dias o porto de Vigo, a maior infra-estrutura portuária de pesca do mundo.

Depois de um ano de 2009 bom em capturas e mau em termos da rentabilidade do pescado, fruto de uma quebra na procura originada pela crise económica global, os armadores de Vigo temem pelo futuro. As anunciadas restrições na pesca de algumas espécies, como espadarte, pescada e tamboril, trazem as organizações do sector preocupadas e muito expectantes em relação ao que poderá suceder com a definição das quotas para as campanhas de 2010.

“Esperamos que mudem entretanto algumas propostas feitas pela Comissão, por exemplo, no caso da pescada e do tamboril, que são muito restritivas, mais até que as próprias recomendações científicas”, referiu ao JN José Ramón Gamundi, director gerente da Cooperativa de Armadores de Pesca do Porto de Vigo (ARVI), que agrega nove associações de armadores e duas organizações de produtores de pescado e abarca um total de 262 empresas, com uma frota de 354 embarcações, que operam naquele porto pesqueiro. ” O ano foi de boas capturas e o que pedimos é que se elevem as propostas em termos do total de capturas permitidas”, afirma este responsável, admitindo que o sector pugna nesta altura para que, pelo menos, as quotas se mantenham idênticas às de 2009.

José Ramón Gamundi alude, de resto, às muitas queixas que neste ano que finda se fizeram ouvir por parte dos armadores por causa da acentuada quebra nos preços que são praticados na venda de pescado em lota. Em consequência da crise que tocou seriamente o poder de compra do consumidor, o preço de primeira venda caiu entre 30 e 40%”, declarou.

“Estamos todos pendentes das quotas, porque o Governo sempre fez o que quis. Aqui há medo porque já há pouca quota e já não podemos perder mais nada”, queixa-se António Gomes, um armador com 59 anos que há mais de 20 se dedica à pesca do espadarte, ameaçando: “Todos os anos perdemos alguma coisa e é impossível reduzir mais. Se reduzirem não sei como vai ser. Teremos de fazer greves ou isso…”.

Em relação às quotas do espadarte, José Gamundi adianta que, embora ainda não tenham sido aprovadas definitivamente, se prevê para as campanhas do próximo ano uma redução de duas mil toneladas (de 17 mil toneladas em 2009 para 15 mil em 2010), que irá afectar toda a frota europeia. “Não esperávamos uma redução tão drástica”, diz.

De acordo com dados fornecidos pela Autoridade Portuária de Vigo, até 30 de Novembro de 2009 foram vendidas um total de cerca de 77, 7 mil toneladas de pescado, o que representa aproximadamente 171,7 milhões de euros, quandono mesmo período em 2008 venderam-se 76,7 mil toneladas, cifrando-se o volume de vendas em 186,5 milhões de euros.”

Fonte: Jornal de Notícias – Sociedade – 15 de Dezembro de 2009

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