Publicado por: pongpesca | 2010/03/04

Pescadores de Ortiga revoltados com falta de lampreia

“Responsabilizam açude no Tejo em Abrantes por impedir que peixes e lampreias subam o rio.

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Câmara de Abrantes vai estudar a possibilidade de manter as comportas abertas durante Dezembro e Maio, como propõem os pescadores.

 

A comunidade piscatória de Ortiga, Mação, afirma-se lesada com a falta de lampreia no Tejo e aponta o dedo ao açude no rio em Abrantes, assegurando que “vai haver problemas” se o município abrantino não resolver a situação. “As pessoas estão desesperadas”, diz Sérgio Durão, porta-voz de cerca de 30 famílias de pescadores sazonais, afirmando que “o problema está a jusante, no açude e na escada passa-peixes” construído há dois anos em Abrantes e que “não funciona e não deixa a lampreia subir o rio para montante”, para a desova.

“Este é um problema grave, porque ao longo de muitas gerações esta foi uma actividade que permitiu o desenvolvimento da freguesia e que ainda hoje se configura como um importante complemento às reformas e vencimentos das suas gentes”, afirmou Sérgio Durão.

“Deixando de haver o sustento das famílias através desta actividade, não é preciso mais para todos se unirem”, assegurou, acrescentando que, entre os meses de Fevereiro e Abril, Ortiga “fervilhava” de vida com a presença de “largas dezenas” de pescadores provenientes de toda a bacia do Tejo.

Manuel Fontes, pescador e mestre calafate, com 75 anos de idade e uma vida dedicada à pesca numa terra “riquíssima pelos favores do rio”, afirmou que “o açude foi a pior coisa que se construiu para o peixe de arribação”, as espécies piscícolas que andam no mar e procuram o rio para a desova. “Nem o sável ali passa e é o peixe com mais potência no arranque e nas subidas, quanto mais a lampreia. Agora nada aqui chega”, afirmou.

Neste contexto, os representantes da comunidade piscatória pediram recentemente à presidente da Câmara de Abrantes para que mantenha as comportas do açude “abertas” entre os meses de Dezembro e Maio, “já a partir deste mês”, para que o peixe siga o seu percurso tradicional e chegue à aldeia ribeirinha.

“Apresentámos uma proposta concreta e esperamos que haja o bom senso de a viabilizar”, disse Sérgio Durão, acrescentando que, “se tal não suceder, pode haver alguns problemas”.

“Somos de municípios vizinhos e toda a gente se conhece pelo que não há necessidade de avançar para outro tipo de situações que poderão passar por manifestações, abaixo assinados, ou outros”, afirmou.

Uma posição que a Câmara de Mação diz “entender e defender”, afirmando que “a ineficácia” da escada passa peixes do açude de Abrantes “originou um problema grave”. Segundo o vereador António Louro, “o problema criado pelo açude está a matar as tradições e o espírito de Ortiga, valores que são mais importantes do que uma mera paisagem bonita aos pés de Abrantes”.

A presidente da Câmara de Abrantes afirmou ir “estudar” uma proposta que considerou “legítima”, acrescentando estar “consciente” dos problemas sentidos pela comunidade piscatória de Ortiga. “Ainda assim”, afirmou Maria do Céu Albuquerque, “o açude foi construído com um fim específico que é o de servir o turismo activo e de lazer”, tendo assegurado “estudar a possibilidade” de manter o açude em baixa “desde que a barragem de Belver também permita um caudal e um espelho de água constante”.”

Fonte: O Mirante – 4 de Março de 2010

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