Publicado por: pongpesca | 2010/04/20

Golfinhos esperam plano há um ano

Golfinhos esperam plano há um anoAmbientalistas e empresários unidos na defesa dos roazes-corvineiros. Plano prevê regular tráfego marítimo

“Foi apresentado há quase um ano em Setúbal como um plano para salvaguarda da ameaçada população de golfinhos do rio Sado, reduzida a 25 indivíduos, depois de há duas décadas ter chegado a 40. A estratégia promete, entre outras prioridades, apertar a malha da fiscalização ao tráfego marítimo, para que as embarcações não continuem a perturbar os cetáceos. Contudo, apesar do cortante diagnóstico, a intervenção no terreno ainda não começou, perante a desilusão de ambientalistas e dos agentes promotores de passeios no estuário.

O próprio secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, esteve ao lado dos responsáveis do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), a 20 de Maio de 2009, para apadrinhar a apresentação do plano, numa sessão onde Marina Sequeira, bióloga no estuário, alertou para a necessidade de se “agir rapidamente sobre as ameaças externas”, tentando controlar as entradas e saídas de barcos no estuário, “para que se evitem as perseguições aos animais”. Do diagnóstico sobressai ainda uma esperança máxima de sobrevivência que não vai além dos 15 anos e a ausência de novos nascimentos.

“O plano é muito interessante, mas continua em banho-maria e isso preocupa-nos muito face ao envelhecimento e declínio da população de golfinhos”, alerta a dirigente da Quercus, Carla Graça, recordando como há um ano existiam apenas três juvenis. “É dramático, mas há aqui um problema de falta de orçamento próprio do plano”, denuncia.

Nestas coisas, sustenta, “ou há uma obrigatoriedade legal ou acaba por ser complicado avançar”, insiste Carla Graça, reclamando “mais empenho e vontade política”, sendo que nos próximos dias a Quercus vai escrever ao ICNB para questionar sobre os impasses em que mergulhou o plano. “Temos a Arrábida candidata a património da UNESCO e às Sete Maravilhas de Portugal e o Sado acaba por fazer parte dessa mesma Arrábida, sendo os golfinhos o seu mais forte elemento de identidade”, assevera, lamentando que ainda nem as restrições às embarcações de recreio estejam no terreno, “quando Tróia passou a ter uma marina com cerca de cem barcos”.

As próprias empresas promotoras de passeios no Sado, com observação dos célebre roazes-corvineiros, lamentam que o plano tarde em sair dos gabinetes. Maria João Fonseca, da Vertigem Azul, alerta que a comunidade de golfinhos do estuário “é única no País, por ser residente do estuário e não viver em oceano aberto, mas, apesar de ser protegida por lei, não tem sido nada protegida pelas nossas autoridades”. A empresária, que também elogia os desígnios do plano estabelecido pelo ICNB, que além de aumentar a fiscalização, criando novos corredores de navegação para o recreio distantes dos locais mais frequentados pelos cetáceos, prevê ainda a monitorização da água e o combate à pesca ilegal.

É que, segundo o diagnóstico, a poluição está entre as maiores causas do progressivo desaparecimento dos golfinhos das águas do rio Sado. Os alimentos contaminados que ingerem regularmente afectam o leite das fêmeas em cerca de 80%, o que explica a fraca taxa de sobrevivência das crias, mas são as velocidades, os ruídos e as acrobacias dos barcos de recreio, sobretudo nos meses de Verão – quando os animais se reproduzem -, que explicam a sua alteração comportamental e, por vezes, a morte.”

Fonte: DN – 20 de Abril de 2010


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: